Desapego

Na dimensão actual em que nos encontramos, estamos apegados a tudo físico. Estamos apegados ao nosso corpo, aos bens matérias, a necessidades fisiológicas, a necessidades sentimentais. Pensamos que necessitamos de mil e uma coisas para sermos felizes. Assumimos que sem coisas e pessoas à nossa volta, entraremos em depressão, deixaremos de ser felizes.

Com a prática é possível começarmos gradualmente a desapegar das coisas materiais. Entenderemos e tomaremos consciência aos poucos que não necessitamos nem possuímos nunca nada. Tudo pode desaparecer num momento.

Imagine que tem a vida “estável” que a sociedade nos ensina a procurar desde cedo. Casa, carro, dinheiro no banco, uma relação estável, uma família unida, um emprego tranquilo e bem remunerado. Tem tudo o que o torna “feliz”. E de repente, num momento, descobre que tem um cancro. Onde está a felicidade nessas coisas todas que tem? Imaginemos outra situação: sofre um acidente e o seu carro vai para a sucata, entretanto há um incêndio na sua casa e fica completamente destruída, a sua relação termina devido ao seu companheiro(a) ter-se apaixonado por outra pessoa e a empresa onde trabalha entra em falência. Demasiado chocante? Acha impossível? Tudo o que tinha como estável deixa de existir num momento!

Estamos na Era de deixar cair as máscaras e perceber a ilusão constante em que vivemos no apego. Voltamo-nos a virar para dentro e encontrar tudo o que precisamos verdadeiramente em nós e na Vida. Percebemos que podemos realmente estar em uníssono com o resto da humanidade, partilhando, amando, sem necessidade de prender ou inferiorizar.

Para praticar o desapego, existe uma técnica muito simples. Sempre que a sua mente começar com preocupações e estiver a consumir-lhe energia com acontecimentos do dia-a-dia, pare um pouco, respire fundo, e pense para si mesmo: “Não Importa”!

Na realidade nada importa mesmo, pois poderá perder tudo num único segundo. O que faria pela sua vida se hoje fosse o seu ultimo dia? O desapego trará também uma nova consciência. Deixará de existir o “meu”. Tudo passará a ser de todos e de ninguém, pois na realidade nunca possuímos nada. Quando assumo que não possuo nada, nada tenho a perder. Estou disposto a dar, a oferecer, a partilhar. A beneficiar toda a gente com aquilo que “tenho”. Procure praticar isto diariamente. Tome consciência da quantidade de vezes em que pensa possuir algo e aperceba-se do que faria se perdesse esse algo.

Não confunda desapego com irresponsabilidade, pois é exactamente o oposto. Pode continuar a desejar coisas materiais, mas com consciência que elas nunca serão suas. E também com o coração disposto a desejar coisas materiais, para mais facilmente poder partilhar e dar, com uma intenção maior.

Liberte-se de si mesmo!

Tudo de bom.

Perdoar

O perdão é uma ferramenta maravilhosa que está ao dispor de todos nós, mas que raramente usamos. Porque será que é tão difícil perdoar?

Quantas vezes sofremos porque alguém nos fez algo que não gostámos ou que nos magoou? E porque continuamos sempre a sofrer e a não perdoar?

Temos de tomar consciência que ninguém tem o poder de nos magoar, ofender, injuriar. Apenas nós temos o poder de ficar magoados, ofendidos ou injuriados. Se eu me mantiver enquanto Ser, enquanto uma consciência maior de entendimento da União das coisas e seres, nunca ficarei ofendido.

Alguém pode tentar ofender-me de mil e uma maneiras possíveis, porém só conseguirá afectar-me se eu o permitir. Eu é que sou sempre o responsável por me sentir atingido.

Quando alguém me ataca, está simplesmente a fazer o que tem de ser feito. Eu preciso desse ataque, fui eu que o escolhi, mesmo que a minha mente me diga que não, que não gosto de ser atacado nem de sofrer, eu necessito dessa experiência para evoluir.

Por isso quando começo a aceitar as coisas começo a perdoar. Mas perdoar além do que é “normal” na nossa sociedade. Não se trata apenas de perdoar a outra pessoa por aquilo que ela fez. Trata-se sobretudo de perdoarmo-nos a nós próprios por termos permitido que aquela situação tenha acontecido e por termos ficado magoados com isso. Sempre que tiverem a sentir-se mais em baixo, angustiados, tristes, com raiva, elaborem uma lista de todas as coisas pelas quais passaram e que pensam que nunca perdoaram. Vão fazendo a lista lentamente para acontecimentos passados começarem a fluir para a vossa mente, porque a maior parte das coisas que nos acontecem de “mal”, temos tendência a fechar num compartimento escondido do nosso cérebro, mas continua lá. Vão elaborando a lista e percebendo todas as coisas escondidas que afinal ainda existiam. Façam isso com coragem.

Assim que a lista estiver pronta, perdoem-se a vocês próprios. Perdoa-te! Tu mereces ser perdoado por tudo o que já passaste. Não estejas à espera que alguém te perdoe a ti. Perdoa-te já. Aceita que foste tu que quiseste experienciar tudo o que aconteceu e que aprendeste algo com isso.

Ao perdoar, estás a limpar o teu passado e a permitir que haja espaço interior para coisas novas.

Depois de te perdoares, então sim, perdoa também todas as outras pessoas ou acontecimentos que te fizeram sofrer. Mas lembra-te que qualquer trabalho de Desenvolvimento Pessoal e Espiritual, começa de dentro e só depois é que se reflecte no exterior.

Podem fazer este exercício através de uma lista, através de uma meditação ou olhando ao espelho nos vossos próprios olhos. E não tenham vergonha de chorar. Chorar lava a alma! Agora que o novo ano ainda está fresco, é uma excelente altura para fazerem este exercício. Sem medos, sem duvidas!

Força! Tu mereces ser feliz!

Tudo de bom.

Identificação

Quem sou não sei. E por não saber sou feliz.

Quando tento saber quem sou, estou a identificar-me com o ego. E o ego não é aquilo que eu sou. Sou tudo. O que interessa o nome, a profissão, a idade, o signo…? Sou simplesmente.

Não é o meu nome que define quem sou. Não me posso desculpar por algo que faça dizendo que é assim que as pessoas do meu signo agem. Sou! O ego é que tenta encontrar identificações pessoais e de grupo. Procura semelhanças e diferenças para se destacar, para ser reconhecido. Tentamos encontrar no exterior tudo aquilo que nos identifique, quando não há nada que nos identifique.

Tudo aquilo com que nos identificamos é apenas visto do prisma da forma, do material. E eu, nós, somos muito mais do que a forma. A forma é apenas um reflexo da imensidão que nós somos. É a necessidade de sermos alguém.

Quando perdemos a necessidade de nos identificarmos com a forma, passamos verdadeiramente a ser. Quem sou? Não sei. E ainda bem que não sei. Não é vergonha nenhuma não se saber quem é. Antes pelo contrário, pois ao termos consciência que não sabemos, largamos a dependência do ego de se identificar, de procurar algo que não existe. Passamos a Ser o que Somos.

Queremos definir objectivos, sonhos, quando na realidade são apenas procuras da identidade. Os nossos sonhos não são colocados em nós por acaso. Cada pessoa tem os sonhos que deve ter, conforme aquilo que ela está a ser, consoante as suas aptidões e aprendizagens. E os sonhos estão em constante mutação. Variamos rapidamente a quantidade e qualidade dos sonhos que temos. Algo que será muito importante conseguir agora, daqui a uma hora pode já não significar nada em oposição a outro sonho maior ou diferente.

Assim, o que sou Agora é e será sempre a única verdade. Agora é o único momento importante e como tal não necessitamos de andar à procura de identificação, reconhecimento ou qualquer tipo de associação ou relação com alguém. Eu Sou!

A vida também faz parte de quem sou. A vida não é minha. Eu não a possuo. Eu sou a Vida. Porque procuro então ser realizado na minha vida? Para nada. Ela nunca será minha. Eu simplesmente tenho de viver. Tenho de ser a Vida. E ser da maneira mais simples possível, abandonando todos os preconceitos e pensamentos que me fazem tentar identificar e perceber qual caminho a percorrer. O caminho é Este. Quem sou, Sou. Nem sequer sou EU. O EU é o Ego. O Eu é o mesmo que meu, me, mim… Simplesmente é um conceito do ego e não é quem sou. Sou tudo! Sou a Vida. Sou nada!

“A vida é uma bailarina e tu és a dança!”

Tudo de bom.