Identificação

Quem sou não sei. E por não saber sou feliz.

Quando tento saber quem sou, estou a identificar-me com o ego. E o ego não é aquilo que eu sou. Sou tudo. O que interessa o nome, a profissão, a idade, o signo…? Sou simplesmente.

Não é o meu nome que define quem sou. Não me posso desculpar por algo que faça dizendo que é assim que as pessoas do meu signo agem. Sou! O ego é que tenta encontrar identificações pessoais e de grupo. Procura semelhanças e diferenças para se destacar, para ser reconhecido. Tentamos encontrar no exterior tudo aquilo que nos identifique, quando não há nada que nos identifique.

Tudo aquilo com que nos identificamos é apenas visto do prisma da forma, do material. E eu, nós, somos muito mais do que a forma. A forma é apenas um reflexo da imensidão que nós somos. É a necessidade de sermos alguém.

Quando perdemos a necessidade de nos identificarmos com a forma, passamos verdadeiramente a ser. Quem sou? Não sei. E ainda bem que não sei. Não é vergonha nenhuma não se saber quem é. Antes pelo contrário, pois ao termos consciência que não sabemos, largamos a dependência do ego de se identificar, de procurar algo que não existe. Passamos a Ser o que Somos.

Queremos definir objectivos, sonhos, quando na realidade são apenas procuras da identidade. Os nossos sonhos não são colocados em nós por acaso. Cada pessoa tem os sonhos que deve ter, conforme aquilo que ela está a ser, consoante as suas aptidões e aprendizagens. E os sonhos estão em constante mutação. Variamos rapidamente a quantidade e qualidade dos sonhos que temos. Algo que será muito importante conseguir agora, daqui a uma hora pode já não significar nada em oposição a outro sonho maior ou diferente.

Assim, o que sou Agora é e será sempre a única verdade. Agora é o único momento importante e como tal não necessitamos de andar à procura de identificação, reconhecimento ou qualquer tipo de associação ou relação com alguém. Eu Sou!

A vida também faz parte de quem sou. A vida não é minha. Eu não a possuo. Eu sou a Vida. Porque procuro então ser realizado na minha vida? Para nada. Ela nunca será minha. Eu simplesmente tenho de viver. Tenho de ser a Vida. E ser da maneira mais simples possível, abandonando todos os preconceitos e pensamentos que me fazem tentar identificar e perceber qual caminho a percorrer. O caminho é Este. Quem sou, Sou. Nem sequer sou EU. O EU é o Ego. O Eu é o mesmo que meu, me, mim… Simplesmente é um conceito do ego e não é quem sou. Sou tudo! Sou a Vida. Sou nada!

“A vida é uma bailarina e tu és a dança!”

Tudo de bom.